8.9.17

Crítica do Filme It A Coisa



Data de lançamento: 7 de setembro de 2017 (2h 15min)
Direção: Andy Muschietti
Elenco: Bill Skarsgård, Jaeden Lieberher, Finn Wolfhard mais
Gêneros Terror, Drama, Suspense
Produção: Seth Grahame-Smith, Barbara Muschietti, Dan Lin, Roy Lee, David Katzenberg
Autor: Stephen King
Sinopse: Um grupo de sete adolescentes de Derry, uma cidade no Maine, formam o auto-intitulado "Losers Club" - o clube dos perdedores. A pacata rotina da cidade é abalada quando crianças começam a desaparecer e tudo o que pode ser encontrado delas são partes de seus corpos. Logo, os integrantes do "Losers Club" acabam ficando face a face com o responsável pelos crimes: o palhaço Pennywise.
Crítica do filme:

IT – A Coisa é a mais nova adaptação cinematográfica da obra homônima de Stephen King. O livro é um dos mais conhecidos do autor e também um dos mais amados, apesar de controverso. It, o livro, se passa em dois tempos e a narrativa alterna entre a infância dos protagonistas e a vida adulta. Essa é a primeira grande diferença do filme, já que esse primeiro filme trata apenas dos acontecimentos ocorridos na infância dos personagens. Eu gostei dessa mudança, acho que foi uma boa decisão, afinal, ler um livro não é o mesmo que assistir um filme e, quem já leu IT sabe que a primeira metade do livro é muito introdutória e pouco conclusiva, o que certamente não seria atraente nas telonas. 


Tendo dito isso, vamos à premissa básica do filme: O Clube dos Otários ou Clube dos Perdedores é um grupo de sete crianças que vivem em uma pequena cidade chamada Derry, no Maine. Derry se destaca por ser uma cidade muito mais violenta que o normal, onde eventos fatais parecem acontecer a cada 27 anos. Após a morte de George, irmão de Bill (um dos integrantes do Clube dos Otários), o grupo decide investigar o que está acontecendo a acaba se deparando com A Coisa. Como eu disse, essa é a premissa básica, bem básica, pois a história vai muito além e traz muitos outros elementos que tornam essa história incrível.


No livro, tínhamos um desenvolvimento maior de alguns dos personagens, especialmente da Beverly, do Ed e do Bill. O filme conseguiu distribuir melhor essa atenção, nos fornecendo maiores informações sobre cada personagem e moldando melhor suas personalidades. Consequentemente, os personagens que recebiam mais atenção no livro, podem parecer menos explorados no filme. Eu senti falta principalmente de ver mais sobre o Ed e seu relacionamento com a mãe. Porém, o filme acertou nesse sentido, pois consegue fazer o telespectador ter empatia por todos os personagens, coisa que o livro não consegue.




Eu gostei muito da montagem do filme. No início, o longa segue uma linha bem delineada para poder apresentar todos os sete personagens, seus respectivos medos e a aparição de Pennywise para cada um. Isso pode dar a impressão de o filme estar sendo repetitivo, mas, eu entendo que não é fácil apresentar sete personagens e acredito que isso foi feito de forma muito criativa. Logo no começo do filme, há uma cena bem forte e gráfica que me fez entender de cara a classificação indicativa do filme. 



Vamos falar sobre os sustos, já que esse é um filme de terror: eu levei vários sustos, mas, se você odeia Jump Scare, pode ir tranquilo, pois (quase) todos os sustos são anunciados, ou seja, você sabe exatamente que está para acontecer. A trilha sonora ajuda bastante nesse sentido com o típico recurso de filmes de terror, com um som que vai aumentando gradativamente até que a aparição venha.

Eu também gostei da forma como A Coisa foi apresentada e como sua capacidade de mudar de forma foi bem explorada. Como eu disse, os sustos são anunciados, mas, as diferentes formas em que a Coisa se apresenta, por si só, são assustadores e perturbadoras. 

O filme consegue dosar muito bem as cenas de terror com as cenas leves e divertidíssimas de interação entre os membros do Clube dos Otários. A maior parte da carga cômica do filme fica por conta do personagem Richie, que faz piadas sujas e zomba do restante do grupo. É realmente possível rir com o filme, inclusive, há cenas que são tensas e engraçadas ao mesmo tempo, o que alivia o ritmo do filme.


A Beverly é ainda mais incrível que no livro e bem menos estereotipada. Na minha resenha do livro, eu já havia expressado o meu intenso incômodo com a personagem que, por ser a única menina do grupo, parece estar sempre envolta em questões sexuais. Na obra de Stephen King, tudo que envolve a Bev tem conotação sexual. No filme, a personagem é mais do que isso e me agradou bem mais. 


Mais uma vez, eu percebo que Stan foi um dos personagens que menos recebeu atenção e, certamente, é o personagem com o qual menos nos apegamos. Mike também recebeu mais atenção do que no livro, mas, ainda continua sendo um personagem com pouco destaque. Bill continua sendo o líder não declarado do grupo e consegue dosar muito bem o trauma que ele carrega por ter perdido o irmão mais novo. O Ben continua sendo tão fofo quanto no livro. O Ed é engraçado à sua maneira, com seus medos absurdos e hipocondria. A interação entre os personagens traz aquela mesma sensação gostosa que o livro tinha de companheirismo e equipe e esse é um dos pontos fortes do filme.


Quem já leu o livro sabe que Derry possui uma atmosfera muito forte e que é possível sentir isso durante a leitura. O filme tentou fazer o mesmo, mas, por ser mais limitado nesse sentido, não conseguiu alcançar a carga sentimental que o livro tem. Porém, dentro das limitações de um filme, o longa conseguiu passar muito bem esse clima, o que fica muito claro em algumas cenas. Eu também senti falta da relação do Bill com sua bicicleta, Silver, e acho que poderia ter havido ao menos uma cena com o grito “Hi Ho Silver”.


As atuações estão ótimas, com destaque especial para Bill Skarsgård, que interpreta o palhaço Pennywise. Um dos maiores pontos positivos do filme é que o palhaço aparece várias vezes e perfeitamente em foco, ás vezes até durante o dia. Ou seja, não há o abuso daquele recurso de filmes de terror de mostrar a “entidade do mal” sempre em cenas escuras, com a câmera tremendo ou desfocada, nos impedindo de ver com clareza. Aqui o palhaço aparece muito e a atuação de Skarsgård pode ser observada com clareza. O ator deixa de lado o rótulo de galã e traz um Pennywise repulsivo, grotesco, sádico e bizarro. 


Andy Muschietti fez um ótimo trabalho como diretor e é um nome que promete muito para o futuro do terror no cinema. Inclusive, quem já assistiu Mama, também de Muschietti, provavelmente vai notar que a própria Mama aparece em It – A Coisa, como o medo de Stanley. Alguém mais tinha percebido?
Bem diferente da primeira adaptação de It, o filme de 2017 deixa o trash de lado e traz a mesma atmosfera densa do livro. It – A Coisa é um filme que nos permite sentir medo, rir e até dá aquela pontada de emoção no final, assim como o livro faz. É bem mais que um filme de terror, e pode até ser considerado um drama, pois trata de assuntos como bullying, racismo, abuso sexual e pedofilia. It é uma história sobre amizade, amor, infância e a superação de medos. É um filme de terror de ótima qualidade e uma adaptação que deve agradar a maioria dos leitores. Já é um dos melhores filmes de 2017 para mim.



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Por fim, gostaria de fazer algumas observações com SPOILER. Portanto, se você não quer um spoiler do livro/filme, pode parar por aqui e muito obrigada por ler a resenha. 

Agora, vamos lá: eu fiquei absurdamente satisfeita por terem tirado do filme a famosa e polêmica cena em que a Beverly faz sexo com os seis garotos do grupo. Essa é uma cena que me incomoda muito e que eu considero completamente sem sentido para o desenvolvimento da história. Já vi dizerem que a cena serve para mostrar a perda da inocência dos personagens e acho isso a maior bobagem. O filme conseguiu mostrar essa perda de inocência de forma muito bonita e sem precisar sexualizar os personagens de forma desnecessária e grotesca. Mais um ponto para o filme.

Outra mudança do filme é a forma como os personagens “derrotam” a Coisa. Quem leu o livro sabe como o final é difícil de reproduzir e até de explicar. Então, essa mudança é perfeitamente compreensível. Estou ansiosa pela segunda parte para saber como eles irão solucionar esse problema.





4 comentários

  1. Meus amigos querem ver esse filme no cinema mas eu não consegui nem ler todo o post por causa dos gifs, hahahahah Socorro. Que coisa medonha.
    Beijo!

    Sorriso Espontâneo

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  2. Parabéns Priscila. Resenha maravilhosa. Vou assistir o filme.

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  3. Parabéns Priscila, resenha maravilhosa, vou assistir o filme.

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  4. Cruzes! Podem falar o que for tanto do filme quanto do livro, mas sempre terei medo desse palhaço... Pode ser um galã interpretando, ainda me dá muito medo esse olhar perverso. Por isso mesmo, já sabe que não li o livro de King... rsrs
    Acredito quando diga que o filme tá ótimo, até mesmo porque não vou ver nem que me pague... =/
    Bjks!

    Mundinho da Hanna

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