14.1.18

[Resenha #1524] Anna Kariênina - Leon Tolstói @cialetras


Anna Kariênina
Leon Tolstói
ISBN-13: 9788535929225
ISBN-10: 8535929223
Ano: 2017
Páginas: 808
Idioma: português 
Editora: Companhia das Letras
Skoob
Classificação: 5 estrelas

Sinopse: Em tradução de Rubens Figueiredo, com posfácio de Janet Malcolm, a obra-prima de Liev Tolstói retrata o caso de infidelidade da aristocrata Anna Kariênina, tendo como cenário uma Rússia decadente.
"Toda a diversidade, todo o encanto, toda a beleza da vida é feita de sombra e de luz”, escreve Liev Tolstói no romance que Fiódor Dostoiévski definiu como "impecável”. Publicado originalmente em forma de fascículos entre 1875 e 1877, antes de finalmente ganhar corpo de livro em 1877, Anna Kariênina continua a causar espanto. Como pode uma obra de arte se parecer tanto com a vida? Com absoluta maestria, Tolstói conduz o leitor por um salão repleto de música, perfumes, vestidos de renda, num ambiente de imagens vívidas e quase palpáveis que têm como pano de fundo a Rússia czarista. 
Nessa galeria de personagens excessivamente humanos, ninguém está inteiramente a salvo de julgamento: não há heróis, tampouco fracassados, e sim pessoas complexas, ambíguas, que não se restringem a fórmulas prontas. Religião, família, política e classe social são postas à prova no trágico percurso traçado por uma aristocrata casada que, ao se envolver em um caso extraconjugal, experimenta as virtudes e as agruras de um amor profundamente conflituoso, "feito de sombra e de luz”.



Resenha:

Tolstói foi um escritor russo, amplamente reconhecido como um dos maiores de todos os tempos, e suas obras mais famosas são Guerra e Paz e Anna Kariênina, ambas considerados como o apogeu da ficção realista e dois dos maiores romances de todos os tempos. Enquanto Guerra e Paz foi escrito em 1864, antes da crise espiritual do autor, Anna Kariênina vem já dos novos ideais que ele havia implementado em sua vida.

A crítica de costumes está sempre presente ao longo da narrativa, enfatizando o dualismo entre a vida na cidade e o quotidiano no campo, entre a alta sociedade e a exploração do povo com salários miseráveis. O autor aborda diferentes perspectivas, deixando o leitor formular a sua própria opinião. É precisamente esta rigorosa análise de uma sociedade em ebulição que eleva esta obra a outro patamar.

A temática do livro é o adultério, mais precisamente, o romance extraconjugal de Anna Kariênina com Alexei Vronsky que se estabelece como o fio condutor de todo o enredo e terá um impacto determinante na vida de todos os personagens. Este evento eleva a crítica de Tolstói à hipocrisia e ao cinismo da sociedade russa. Podemos ver como Stiva e Anna, irmãos, representam polos opostos do mesmo tema. Stiva envolve-se com a babá inglesa dos filhos, em busca do prazer sexual que o casamento com Dolly já não lhe fornecia, e surge como uma vítima de um casamento deteriorado. Anna, por outro lado, escandaliza todos os que a rodeiam por ceder a uma paixão que culmina em tragédia. Encontra-se aqui a mentalidade patriarcal de uma sociedade em que as aparências contam mais do que a própria felicidade, e de que a mulher sempre é vista como a culpada e sem direitos. 


Anna Kariênina, uma mulher belíssima e carismática, considerada uma das damas mais importantes nos eventos sociais, mas vivia um casamento infeliz, junto de um homem que não amava. Quando descobre o seu verdadeiro amor, abandona tudo e todos e corre atrás da felicidade que ambicionava. Numa altura em que o divórcio era visto de forma reprovadora, quando uma mulher abandonava o marido para ficar com outro homem era algo ultrajante. Numa sociedade extremamente rígida em relação a valores e tradições, Anna Kariênina tornou-se uma mulher indesejada, sendo impróprio que outras mulheres a visitassem ou que alguém estabelecesse com ela qualquer tipo de contato.

Além de Anna Kariênina, o seu marido, Alexei Karenin, e o seu amante, Alexei Vronsky, são personagens muito peculiares, cada um movido pelos seus próprios valores e sentimentos. Karenin um homem rígido e intransigente, não permite ficar mal visto pela sociedade, independentemente da felicidade ou infelicidade da esposa. Por outro lado, Vronsky, um homem com valores muito próprios, habituado a ser um “bon vivant”, apaixona-se perdidamente por Anna mas não entende a que ponto a questão social ligada ao seu relacionamento o afeta.

A história é tão complexa, a quantidade de personagens é tão grande que este é um livro que leva tempo para ser lido, e de preferencia que deve-se ler com calma e aos poucos, foi o que fiz. O começo da narrativa é bem lento, mas depois que se pega ritmo, este é um livro que te conquista palavra a palavra até se tornar viciante, e os últimos capítulos não se consegue parar de ler. Tolstói é mestre em cativar o leitor para cada situação que ele apresenta, mostrando a época em que viveu, nos ensina a amar ou a odiar cada qualidade ou defeito desta sociedade.


Além do tema de adultério, Tolstói nos apresenta os vícios, costumes, problemas sociais, políticos, economicos, cada nuance do que foi o Império Russo é nos apresentado em detalhe para que o leitor conheça toda as faces da história e tire as suas próprias conclusões. Os personagens são complexos e únicos, cada um deles tem um objetivo, um valor e vão crescendo e mudando a sua forma de agir, de acordo com as suas vivências e pensamentos. Cada degrau do que compõe este mundo está presente neste livro para criticar, ensinar ou louvar os princípios da Rússia. Nenhum personagem é perfeito, são humanos cheios de falhas, como todos nós e é difícil, não ficarmos assoberbados com a beleza e grandiosidade do que Tolstói criou neste livro.

Anna Kariênina é um livro intenso, intemporal, apaixonante, envolvente, uma história que combate a sociedade por amor mas que não sobreviverá aos mais cruéis medos humanos. Este romance mostra precisamente a infelicidade de quem almeja seguir o que é socialmente aceitável, em detrimento da sua concretização pessoal. Na verdade, até que ponto conseguiremos ser realmente felizes quando nos limitamos a viver segundo o que os outros pensam? É esta a mensagem de uma obra que ficará para sempre comigo, e só tenho que dizer que todos devem ser esse livro magnífico e conheçam a grandiosidade da literatura russa.

Nenhum comentário

Postar um comentário

© BLOG ROTINA AGRIDOCE- TODOS OS DIREITOS RESERVADOS | Design e Programação por MK DESIGNER E LAYOUTS