22.4.18

[Resenha #1610] Anjo Russo - Zia Stuhaug


Anjo Russo
Zia Stuhaug
ISBN-13: 9788565558310
ISBN-10: 8565558312
Ano: 2017
Páginas: 248
Idioma: português 
Editora: Mais Que Palavras
Skoob
Classificação: 3 estrelas
Sinopse:Na instigante obra, Liudmila, uma russa com cidadania dinamarquesa, é acusada e presa por um atentado. Enquanto isso, a alguns bons quilômetros dali, Mattias Larsen, homem frio e calculista, capaz de sentir afeto somente por um lobo domesticado que adotou, ri e comemora a notícia iminente da morte de Elisa, esposa de seu patrão, Eirik Leiv.Em busca de uma preciosidade denominada "O Tesouro de Iduna", Mattias percorre um caminho obscuro, passando pela Escandinávia. Ali ele rouba o "Códice de Uppsala", manuscrito medieval islandês que inclui a versão mais antiga do Edda em Prosa, doado em 1669 à Biblioteca da Universidade de Uppsala pelo chanceler Magnus Gabriel de La Gardie ‒ o suposto favorecido do tesouro.Com a combinação dos códigos em alguma parte desse Códice e de inscrições na Caixa de Freixo, o qual teria pertencido à Rainha Cristina da Suécia, (que teria elaborado o mapa do tesouro e ofertado tal presente a seu protegido da corte, Magnus Gabriel, no Século XVII), Mattias tem a certeza de que encontraria o tesouro. Para tal, revela-se disposto a eliminar todos que ousassem atravessar seu caminho e atrapalhar seu plano para pôr as mãos naquela fortuna incalculável ‒ inclusive Elisa.




Resenha:

Eu honestamente não gosto de fazer resenhas negativas, especialmente quando são de livros nacionais. Mas eu prezo pela honestidade, e dizer que eu gostei de Anjo Russo, da autora Zia Stuhaug, publicado pela Mais Que Letras seria ser desonesta.




Elisa é uma brasileira que se casa com um norueguês, e tem dificuldade em se adaptar aos costumes e ao frio desta terra gelada, ela busca alternativas para seus dias. Como uma nova amiga e um jardim. Alguns anos depois, em um plantão no hospital ela sofre um atentado, e sua vida fica por um fio.
A primeira pergunta do dia é, quem fez a sinopse deste livro no skoob? Simplesmente entrega o livro na primeira frase, fujam desta sinopse que estraga a leitura! E como fica claro pela sinopse que eu mesma criei não existe bem um enredo neste livro, primeiro eu pensava que seria sobre a busca do vilão Mattias pelo tesouro de Iduna, onde Elisa acabava envolvida, e não foi isso. Depois pensei que tratava-se de Elisa que acabaria na mesma busca, e não também não. E honestamente não sei qual era a intenção da autora.




A narrativa de Stuhaug é esquizofrênica, onde aparentemente não houve edição, ou se houve foi ruim. Prova disto é que em uma mesma cena a personagem acende duas vezes a mesma luminária! Outro problema é que a autora quer trazer a cultura escandinávia para a estória, e isso é maravilhoso (sou louca pela Finlândia!), mas isso foi feito de modo que a narrativa se quebrasse. Não podemos parar uma ação para explicar uma palavra ou costume. Acredito que notas de rodapé seriam mais adequadas.

Outro problema que me irritou muito foi o uso de diálogos para explicar os acontecimentos. Acredito ser desnecessário em uma narrativa em terceira pessoa que já descreve a cena um personagem ter diversos diálogos solitários para dizer o que a pessoa está pensando. Tudo soou forçado e não acrescentou a estória.

Outro recurso utilizado de maneira estranha foi o tempo. Já é característico de romances policias alternar capítulos no passado e depois no futuro, mas embora a autora pareça querer soar policial, não é, não há mistério para desvendar, essas passagens de tempo foram mau utilizadas. O livro começa no crime, e volta no tempo, e seguimos essa linha do tempo até o crime novamente. E os capítulos se alternam entre a visão da Elisa e a Mattias, mas não fornecem recursos para compreendermos o caso. 

Em um momento ocorre o crime, logo em seguida é jogado a explicação de quem seria a culpada, e depois porque ela não é culpada, e pronto. Sem a menor transição, apresentação, simplesmente tudo é jogado, e nada foi trabalhado.

O 'vilão' é um homem doente, que acaba obcecado em uma busca. Ele está nesta busca faz alguns anos, e ele encontra o local do tesouro em um insight em um capítulo. Acho que estas descobertas deveriam ter sido espalhadas ao longo do livro para que o leitor juntamente fosse juntando as peças do local. A construção deste personagem também é falho já que ele têm falas curtas e grossas que não condizem com a intelectualidade dele, menos ainda com o perfil proposto a ele, assim ele soa muito pobre intelectualmente.

Elisa é uma moça chata, passa boa parte do tempo reclamando de frio e solidão. Têm poucos atos, mas em sua maioria são sem pé nem cabeça, e não desperta empatia em momento algum. Seu marido é um norueguês, que alterna o perfil sou um europeu frio e sou um europeu moderninho que gosta do jeito brasileiro. Também não convence.



Gostei do trabalho gráfico do livro, especialmente das ilustrações que dividem as cinco partes do livro, são muito fofinhas e de bom gosto, além de conter boas frases de pensadores.

Ao fim do livro minha sensação é que a autora teve várias ideias que ela colocou no papel, mas que não teve ajuda para organizar. Faltou edição, faltou foco, e um objetivo. A maior riqueza neste livro é a cultura da Escandinávia e da Noruega, mas embora isso traga uma atmosfera ótima para o livro é também um defeito quando foi mau usada.

Anjo Russo não fez sentido para mim, ficou no meio do caminho entre um livro policial e um livro de drama. Infelizmente não funcionou para mim, e não sei bem como outras pessoas irão encará-lo, mas jamais digo não leia, porque cada um tem uma relação única com os livros. Então faça a sua com este.

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