31.5.18

[Resenha #1626] A Mulher Entre Nós - Greer Hendricks e Sarah Pekkanen @EditoraParalela


A Mulher Entre Nós
Ela não é quem você pensa
Greer Hendricks e Sarah Pekkanen
ISBN-13: 9788584391066
ISBN-10: 8584391061
Ano: 2018
Páginas: 352
Idioma: Português
Editora: Paralela
Classificação: 5 estrelas
Skoob
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SINOPSE: Um livro de suspense que explora as complexidades do casamento e as verdades perigosas que ignoramos em nome do amor. Aos 37 anos, a recém divorciada Vanessa está no fundo do poço. Deprimida, morando no apartamento de sua tia, ela não tem filhos, dinheiro ou amigos verdadeiros. Ao descobrir que Richard, seu rico e carismático ex-marido, está prestes a se casar de novo, algo dentro de Vanessa se quebra. A partir de agora, sua vida irá revolver em torno de uma única obsessão: impedir esse matrimônio. Custe o que custar. Na superfície, Nellie se parece com qualquer outra jovem bela e sonhadora que veio para Manhattan começar sua tão sonhada vida adulta. Mas a personalidade tranquila que ostenta é apenas uma fachada. Em sua mente, perdura um segredo que a fez fugir de sua cidade natal e que a impede de caminhar em paz quando está sozinha. Ao conhecer Richard – bem sucedido, protetor, o homem dos sonhos – ela finalmente começa a sentir-se segura. Ele promete protegê-la de todos os males, para o resto de sua vida. Mas, de repente, ela começa a receber ligações misteriosas. Fotografias em seu quarto são movidas de lugar. O lenço que ela planejava usar em seu casamento desaparece. Alguém está perseguindo a, alguém quer o seu mal. Mas quem?



RESENHA: 

Em A Mulher Entre Nós, das autoras Greer Hendricks e Sarah Pekkanen, conhecemos duas mulheres ligadas por um homem. Vanessa está passando por um momento complicado da vida. Após o divórcio com Richard, ela perdeu todos os bens materiais, mora agora com a sua tia Charlotte, trabalha como vendedora em um departamento de roupas (um emprego que não queria) e não tem mais a aparência de antes. Seus dias são resumidos ao álcool, a remédios para dormir, podcasts de psicologia e a solidão de uma mulher divorciada que ainda não superou o antigo relacionamento. Logo depois de receber uma conhecida na loja, Vanessa confirma suas suspeitas: Richard está noivo outra vez. A partir dessa informação, ela promete que vai impedir o casamento.  
“Mudanças sempre causavam apreensão, e ela tinha que encarar um monte de uma só vez.” (pág. 14)
“Mesmo naqueles primeiros meses inebriantes, era como se tudo – como se ele – parecesse um tanto coreografado. Richard era atencioso, carismático e bem-sucedido. Eu me apaixonei quase de imediato. Nunca duvidei de que me amasse também.” (pág. 16)
“Mentiras deveriam ficar reservadas às ocasiões em que fossem estritamente necessárias.” (pág. 29)
“Engravidar era minha única obrigação.” (pág. 58)
“Sempre se arrependia de suas decisões, mas não se arrependia de ter escolhido Richard.” (pág. 74)
“Não era a primeira vez que eu traía Richard, nem seria a última. Tampouco seria a pior traição – nem de longe. Eu não era a mulher com quem ele imaginava ter se casado.” (pág. 80)
“Mesmo quando não estou presente, estou sempre com você.” (pág. 95)
Do outro lado, apesar das fobias, dos traumas e de um passado enterrado na Flórida, Nellie tenta viver a vida agitada de Nova York da melhor forma possível. Ela mora com uma de suas melhores amigas, tem dois empregos e ficou noiva de Richard, um homem bem-sucedido, carismático e que faz promessas doces sobre o futuro. Faltando poucos dias para a união oficial do casal, Nellie começa a reviver alguns pesadelos. Ao que tudo indica alguém está ligando para o seu celular sem deixar nenhuma mensagem – ela atende e ouve apenas uma respiração do outro lado da linha. Se ela estivesse sozinha não aguentaria a pressão do medo, mas Nellie está convicta da proteção que Richard oferece. 
“Todos acrescentemos camadas às nossas recordações; filtros através dos quais queremos examinar nossas vidas.” (pág. 103)
“Nellie prometera para si mesma que seria mais esperta da próxima vez. Nunca mais ficaria com um homem que a abandonasse quando ela começasse a cair.” (pág. 130)
“Apesar de estar recém-casada àquela altura, minha transformação já havia começado.” (pág. 165)
“Eu tinha um novo nome. Um novo endereço. Até mudara o número do celular. Mas sempre temia que não fosse suficiente.” (pág. 171)
“Ela não gostava de quem eu era quando estava com Richard – aquilo estava claro. Mas eu também sabia que Richard não gostava da maneira como me comportava quando estava com Sam.” (pág. 204)
“(...) Mas a mais íntima das relações não deveria ser um porto seguro, em que a pessoa conhecia todos os segredos e os defeitos da outra e a amava mesmo assim?” (pág. 208)
O livro é dividido em três partes e um epílogo. A narração alterna primeira e terceira pessoa, e é realizada pelas duas mulheres até o final da primeira parte. A escrita das autoras é muito envolvente, repleta de mistérios que vão sendo resolvidos ao decorrer da leitura e que prendem a gente do início ao fim. Eu devorei as páginas com anseio em saber quais eram os traumas do passado de Nellie que a impediam de dormir tranquilamente, os motivos para Vanessa querer impedir o novo casório de Richard, e muito mais.
“(...) eu sabia que me desvencilhar de Richard não seria assim tão fácil.” (pág. 264)
“Me envergonhar em público – fazer as outras pessoas me verem como alguém instável, ou, pior, fazer com que eu questionasse a mim mesma – era uma das formas mais comuns de Richard para me disciplinar.” (pág. 272)
“Richard sempre está no controle da percepção da nossa narrativa.” (pág. 291)
“Ele se limitou a me encarar. Era perfeitamente capaz de me matar. Precisava convencê-lo a não fazer aquilo.” (pág. 297)
“Ele se alimentava do meu medo; isso fortalecia sua sensação de poder.” (pág. 306)
“A verdade é o único caminho para seguir em frente.” (pág. 343)
Não posso falar muito sobre os personagens, inclusive Richard. Existe um plot twist (uma espécie de reviravolta na história) que vai desconstruir tudo o que a sua vida de leitor construiu ao longo dos anos: nem tudo o que está escrito é o que parece. Eu quase parei a leitura para me certificar de que tinha entendido certo. Após essa reviravolta, você começa a ter uma visão diferente desse trio de personagens principais, eles mudam de forma tão drástica que seria uma perda de tempo descrevê-los agora. Mas o que posso adiantar é que eles são bem construídos, não deixam a desejar e vão fazer você repensar muitas coisas na vida. 

O relacionamento que as autoras criam é envolto em pequenos detalhes, nuances e comportamentos subentendidos. Depende do leitor entender e interpretar, lembrando que a mulher nem sempre é a culpada de uma relação em deterioração. Sendo assim, cada palavra, situação e diálogo é importante e precisa ser analisado a todo o momento. Por exemplo, Richard demonstra seu temperamento possessivo com algumas pequenas ações que, a principio, são inofensivas, mas características de um homem como ele. Em um momento, ele compra uma casa para os dois. Até aqui tudo bem, mas essa casa é distante do centro da cidade ou de qualquer ser humano. Ele enfatiza que escolheu essa localização por conta de um pedido que Nellie fez. Sendo que, um pouco mais para frente, entendemos que ela nunca havia pedido para morar tão longe das pessoas, Nellie só teria reclamado do barulho de Nova York. Assim, afastar ela do mundo foi mais uma artimanha que Richard encontrou para manter sua posse embaixo dos próprios olhos. 

Por fim, a discussão sobre relações abusivas está em cada página. Em muitos momentos, lembrei de algumas cenas maravilhosas da série Big Little Lies, em que o casal Celeste Wright (Nicole Kidman) e Perry Wright (Alexander Skarsgard) começa a frequentar uma terapeuta, cenas que também demonstram como funciona esse tipo de relação. A título de exemplo, Nellie perde a identidade quando começa a atender aos pedidos de Richard. No começo, ela é cheia de vida e de luz, tem dois empregos, amigas, uma rotina e um futuro brilhante pela frente. Depois de conhecer Richard, ela vive de acordo com a agenda dele, permitindo que ele tenha controle total sobre sua vida. Nessa relação retratada pelas autoras, não existe “dois”, mas apenas “um”. 

Um livro em que tudo pode acontecer, impactante, cruel e verdadeiro. A Mulher Entre Nós, diferente do que você possa estar imaginando, não é sobre uma disputa entre duas mulheres por conta de um homem, algo que é retratado com frequência nos filmes hollywoodianos, mas é sobre as consequências de um relacionamento nada saudável e o papel desse homem dentro dele – ou melhor, o protagonismo dele nesse período de devastação. Caro leitor, não se engane, nem toda mulher é culpada. 




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