7.6.18

[Resenha #1631] Kurt Seyit & Shura - Nermin Bezmen @PedrazulEditora


Kurt Seyit e Shura
Nermin Bezmen
ISBN-13: 9789759535858
ISBN-10: 9759535858
Ano: 2017
Páginas: 360
Idioma: Português
Editora: Pedrazul
Classificação: 5 estrelas
Skoob
Compre: Pedrazul
SINOPSE: O livro que inspirou uma fascinante série de TV, agora exibida pela Netflix, e que continua a encantar milhões de telespectadores no mundo todo.
Um best-seller instantâneo desde o seu lançamento em 1992, o romance Kurt Seyit & Shura, de Nermin Bezmen, é um clássico da literatura turca contemporânea, um drama romântico que tem como cenário a decadência do Império Russo e a Primeira Guerra Mundial. Bezmen nos conta a história de um casal que vive um amor proibido à medida foge da onda de devastação causada pela Revolução Bolchevique. Neta de Kurt Seyit, O Lobo, um dos amantes que procurou refúgio no já enfraquecido Império Otomano, a autora relata a história real até então traduzida para doze línguas.
Kurt Seyit é o filho de um nobre abastado da Criméia é um elegante primeiro tenente da Guarda Imperial. Ferido no front dos Cárpatos e, mais tarde, procurado pelos bolcheviques, ele faz uma fuga ousada através do Mar Negro. Orgulhoso para aceitar o pagamento por um carregamento de armas que ele entrega aos nacionalistas, Seyit enfrenta anos de luta para começar uma nova vida na República Turca que surge das cinzas do Império Otomano decadente. Tudo o que ele tem é a sua dignidade e o seu amor.
Shura é a linda e inocente menina, encantada pela música de Tchaikovsky e pelas luzes brilhantes de Moscou, que se apaixona por Seyit quando tem apenas quinze anos. Uma vítima em potencial na mira dos bolcheviques devido à riqueza e a posição social de sua família, ela está determinada a seguir seu coração e acompanhar Seyit na sua perigosa fuga pelo Mar Negro.



RESENHA: 

No livro Kurt Seyit e Shura, da autora turca Nermin Bezmen, conhecemos a história verídica de sua família. Em 1916, a aristocracia russa aproveitava os bailes, as peças e os cortejos, bem distante dos murmúrios sobre o crescente ódio ao czar Nicolau II, a insatisfação dos trabalhadores e pequenos motins que recebiam mais partidários. É nesse contexto que somos transportados para Moscou, uma cidade mágica para aqueles que nem imaginavam o futuro da Rússia. 
“Talvez nunca voltassem a se encontrar, mas ela havia se tornado sua prisioneira, uma prisioneira para toda a vida, e tudo por causa de um simples olhar.” (pág. 26)
“A vida, contudo, não se tornava um sonho quando ela estava com ele? Todos os sonhos tinham um final, este não seria diferente. Ela, então, decidiu vivê-lo pelo tempo que durasse.” (pág. 28)
“Era como se ele tivesse finalmente encontrado aquela metade que faltava a seu próprio corpo; e Shura pensava nele como o homem que daria significado para sua própria vida.” (pág. 46)
“(...) a guerra significa que, não importa qual a sua causa, os dois lados acreditam que estão certos. Somente a história mostrará quem tem razão.” (pág. 91)
Alexandra Zhulianovna Verzhenskaya, conhecida como Shura, tem quinze anos e está preocupada com o primeiro jantar dançante da sua vida, não só porque essa é praticamente sua introdução na vida social russa, mas também porque estava muito longe de sua casa em Kislovodsk. Mas todos os seus receios são esquecidos quando seus olhos encontram Seyit Eminof, primeiro-tenente de vinte e quatro anos da Guarda Imperial do Czar. A partir do momento em que os dois se conhecem, rodeados por vestidos suntuosos, aristocratas carismáticos, músicas clássicas e uma neve fina do lado de fora, eles se sentem completos. 
“Muitas casas em muitos lugares, pessoas diferentes com costumes diferentes. Onde será que ele pertencia? Onde se estabeleceria? Quem amaria o suficiente para se casar com ele?” (pág. 166)
“A beleza poderia ser vista em todos os lugares, ainda que só por um momento. A tristeza, por outro lado, nunca estava ausente.” (pág. 181)
“Talvez tenha sido a vontade de Deus que o tenha poupado da agonia da capturar pessoas de sua própria raça.” (pág. 189)
“Se pudesse ir para apenas um lugar quando deixasse a casa, iria para uma mulher que amava ou de volta para sua família? Aquele era um dilema que não tinha lugar em sua mente.” (pág. 197)
“A tristeza sempre os acompanhava, não importando o que faziam ou o quanto estavam felizes. A tristeza, na verdade, nunca os abandonou.” (pág. 243)
“Deus salve o czar, o hino nacional cantado por gerações não foi mais ouvido. Deus não tinha mais um czar para salvar.” (pág. 247)
“É uma pena que nem todos os sonhos se tornem realidade.” (pág. 262)
“Homens não choram. Soldados não choram. Mas Kurt Seyit estava chorando.” (pág. 286)
E é claro que nem tudo seria mil maravilhas. Seyit Eminof é um oficial que precisa sempre estar em movimento, não só viajando entre São Petersburgo, Moscou e o Palácio de Livadia, mas também participando de guerras e colocando sua vida em risco. Sem contar que seu pai não o proíbe de se relacionar com russas, mas espera que Seyit se case com uma mulher de Alushta, na Crimeia, lugar em que toda a família reside. Shura, por outro lado, não carrega o fardo de trabalhar para o czar, mas sofre com a distância imposta pelo destino e um amor sem garantias de sobrevivência. 
“Eu completo minha alma, meu corpo, meu tudo com você, minha querida.” (pág. 302)
“A vida, normalmente, não nos dá uma segunda chance e, quando dá, nós geralmente a perdemos. Nossa impotência só aparece quando o destino nos supera mais uma vez, e quando já é muito tarte.” (pág. 330)
“- Nós sempre pertencemos um ao outro, Shura, e sempre pertenceremos, não importa o que aconteça. Nós estamos no sangue do outro, nas lembranças do outro. Isso nunca vai mudar, não importam as condições.” (pág. 409)
“Ele é a minha Rússia em Istambul.” (pág. 413)
“Será que aquele era seu destino, navegar para longe com um homem, depois com outro, trocar uma terra por outra, deixar uma vida por outra?” (pág. 421)
Além do relacionamento complicado entre os dois, também conhecemos o histórico da família Eminof, a infância e adolescência de Seyit, os antecedentes que o levaram a fugir para a Turquia e o final desolador de um amor rodeado pela tristeza e saudade. Tudo isso, é claro, em uma época de ascensão e queda da Rússia, que serve não só como pano de fundo para a história de Seyit e Shura, mas que também está ligada e afeta diretamente todos os personagens.

Na minha concepção de leitora, acredito que o livro possa ser dividido em três partes: a primeira é um conto de fadas russo, porque a descoberta da paixão entre Shura e Seyit é tratada com muita delicadeza. A narração desse envolvimento amoroso se entrelaça perfeitamente com a neve, as luzes ao redor da cidade e a uma magia que só poderia existir antes de uma Revolução; a segunda parte é a biografia de Seyit, desde a época em que foi escolhido pelo pai para servir ao czar, passando pelo Front dos Cárpatos, e terminando na sua travessia até a Turquia após um assassinato; e, por fim, a derradeira terceira parte mostra a vida do casal no outro lado do Mar Negro e todos os acontecimentos que culminaram no maior trauma de leitor que eu poderia ter.


A escrita é delicada, imersiva, romântica e poética. A narração em terceira pessoa é realizada por vários personagens ao longo do livro. Como a autora cobre mais de cinco anos de história em lugares diferentes, é essencial mostrar diferentes pontos de vista também. Preciso aplaudir o trabalho de pesquisa realizado com maestria pela autora, ela se entregou de corpo e alma no passado de seu avô, nosso protagonista Seyit, e dos fins trágicos envolvendo sua família. Ao final do livro, no epílogo, a autora conta como aconteceu o processo de apuração, as viagens que fez, as ligações que recebeu e o conhecimento que resgatou do passado. Além disso, numa espécie de Álbum de Família também ao final do livro, temos a oportunidade de visualizar nossos personagens em fotos tiradas naquela época.  

A leitura em muitos momentos é bastante dolorosa. Acho que o fato dessas pessoas terem existido contribui para a dor que sentimos ao ler o final de cada uma. Falando em personagens, eles são reais, verdadeiros e reconstruídos com uma leveza muito tocante. Nos apegamos a cada um deles e torcemos para que tudo dê certo - mesmo sabendo que tudo pode dar errado. Como a vida deles está ligada diretamente aos protestos políticos e guerras que aconteceram ou tiveram envolvimento da Rússia, a autora não os ignora e sempre que possível faz uma contextualização histórica. 

Apesar desse contexto simplificado, é bom que o leitor tenha um background para entender de forma mais ampla tudo o que está acontecendo, as consequências do ano de 1917 para o país e a tensão palpável que permeia a leitura. Não estou falando apenas da cultura russa, como saber do que se trata O Lago dos Cisnes (descrito com precisão por Shura), ou dos costumes turcos, como as etapas de um casamento que devem ser realizadas, mas também dos antecedentes da morte do czar Nicolau II e sua família, a Primeira Guerra Mundial e como os países europeus se comportaram diante de todos esses episódios. Sendo assim, falar que o livro é apenas um romance seria errado. Ele é uma grande aula de história também. 

Kurt Seyit e Shura é sobre fazer escolhas difíceis em tempos difíceis, lutar por ideias que caíram em desuso, sentir saudade do que não volta mais e amar sem garantias. Uma escrita que tenta trazer leveza para uma época de sofrimento, que reconstrói personagens reais que batalharam pela chance de viver e que mostra um amor poético sem o “Felizes para Sempre”. Prepare o coração e as lágrimas, o livro é desolador do começo ao fim. 




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