12.6.18

[Resenha #1634] Os Quatro Amores - C. S. Lewis @ThomasNelson_br


Os Quatro Amores
C. S. Lewis
ISBN-13: 9788578601959
ISBN-10: 8578601955
Ano: 2017
Páginas: 192
Idioma: Português
Editora: Thomas Nelson
Classificação: 4 estrelas
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SINOPSE: Como expressar de maneira profunda um sentimento comumente tratado de forma tão rasa? Para o célebre escritor C.S. Lewis, o amor pode ser comunicado de quatro maneiras: Afeição, a forma mais básica de amar; Amizade, considerada a mais rara; Eros, o amor apaixonado; e Caridade, o maior e menos egoísta deles.Em Os quatro amores, um de seus livros mais influentes, agora enriquecido por nova tradução, Lewis contempla a essência do amor e avalia como cada tipo se ajusta aos demais. Com a maestria que o tornou um dos autores mais importantes do século XX, ele desafia e incorpora definições clássicas do amor de uma forma que continua atual e relevante. Como lembra o autor, foi por amor que Deus fez existir criaturas inteiramente supérfluas, somente a fim de poder amá-las e aperfeiçoá-las.



RESENHA: 

Os Quatro Amores, do autor C. S. Lewis, são Afeição, Amizade, Eros e Caridade. Antes desses amores, a primeira distinção que ele faz é do amor-Doação e o amor-Necessidade. Não só a relação deles com Deus, mas também com o próximo. O primeiro é aquele que se entrega sem esperar nada em troca, enquanto o segundo reflete a ânsia por ser amado. Esses dois amores primordiais podem englobar os outros quatro. 

O primeiro, a Afeição, é o mais modesto e o menos discriminatório, um amor que ignora barreiras de sexo, educação, classe, idade e espécies (homem e animal). Não sabemos como ele começa, mas quando se instala pode unir qualquer coisa. Ele é um produtor árduo da felicidade, mas essa produção só será exata se você deixar que ele acompanhe a bondade, a humildade, a abnegação e outras boas palavras dentro da razão. Ele não fere, não humilha e muito menos domina. A única coisa que o torna complicado é o ciúme. Por exemplo, quando uma criança pequena consta que seu irmão mais velho cresceu e não quer mais brincar com ela. Esse ciúme é feroz dentro da Afeição.
“A mente humana tem no geral mais inclinação para elogiar e desprezar do que para descrever e definir.” (pág. 14)
“Na vida real, graças a Deus, os três elementos do amor se mesclam e se seguem um ao outro, momento a momento.” (pág. 16)
“O único imperativo proferido pela natureza é: Olhe. Ouça. Atenda.” (pág. 17)
“(...) devemos manter-nos vigilantes quando à saúde ou doença de nosso amor pelo país.” (pág. 19)
“A última coisa que desejamos é tornar todos os outros lugares iguais ao nosso lar. Ele não seria um lar a não ser que fosse diferente.” (pág. 20)
“Quando os amores naturais infringem a lei, eles não só prejudicam os demais amores; mas deixam eles mesmos de ser os amores que costumavam ser, perdendo por completo sua condição.” (pág. 22)
 “(...) todo amor tem a sua arte de amar.” (pág. 30)
“O amor, tornando-se deus, transforma-se em demônio.” (pág. 36)
O segundo, a Amizade, é o menos necessário dos quatro amores. Ele surge do Companheirismo quando duas ou mais pessoas descobrem interesses em comum – é o instrumento através do qual Deus revela as suas qualidades aos demais. Nos tempos medievais, ele era exaltado. Infelizmente, no tempo em que vivemos, ele é marginalizado. É considerado apenas um amor que preenche as brechas da vida. Teoricamente, todos podem sobreviver sem ele. Existem aqueles que ainda possuem a mente fechada e, com relação a uma amizade entre dois homens, chama esse amor de homossexual. Por outro lado, a Amizade, aquela verdadeira, é o menos ciumento dos amores. Isso acontece porque sempre existe felicidade quando uma pessoa se junta ao grupo. 
 “Você não vai descobrir o guerreiro, o poeta, o filósofo ou o cristão se ficar olhando para ele como se fosse sua amante: é melhor lutar a seu lado, ler com ele, discutir e orar com ele.” (pág. 44)
“As pessoas que aborrecem umas às outras devem encontrar-se poucas vezes, as que interessam uma à outra, muitas vezes.” (pág. 49)
“Trata-se de uma das difíceis e deliciosas sutilezas da vida: reconhecer que certas coisas são graves mas, ao mesmo tempo, conseguir encara-las com frequência com o mesmo espírito esportivo que encararíamos um jogo.” (pág. 53)
 “O homem representa o papel de Pai-Céu e a mulher de Mãe-Terra; ele é a Forma e ela a Matéria.” (pág. 60)
O terceiro, o Eros, é o estado em que uma pessoa se encontra amando. De todos os amores, ele é o que mais se assemelha ao divino – essa condição de estar amando se torna uma espécie de religião para um dos lados. Como parte dele ou não, existe a Vênus, nome que representa a sexualidade. Com relação a um homem, o Eros quer um prazer em que a mulher é a única que pode oferecer. Para alguns, a emoção prejudica o prazer sexual de Eros. Para outros, existe sentimento até mesmo na brutalidade da carne. Mesmo sem uma resposta, uma das certezas é que o perigo espiritual de Eros com Deus pode ser encontrado nessa questão carnal de um relacionamento – não se deve procurar um absoluto nela. 
“O amor faz juramentos não solicitados, não podendo ser impedido de fazê-los.” (pág. 65)
“Amar é ser vulnerável.” (pág. 69)
“Não podemos ver a luz, embora com ela possamos ver as coisas.” (pág. 71)
“Deus, que de nada precisa, faz existir pelo amor criaturas inteiramente supérfluas a fim de que possa amá-las e aperfeiçoá-las.” (pág. 72)
O quarto e último amor, a Caridade, está em todos nós. Essa constatação está ligada ao fato de que os amores naturais não são tão autossuficientes. Infelizmente, existe sempre alguma coisinha dentro de nós que não pode ser amada naturalmente. Sendo assim, a Caridade surge. Recebemos esse amor e não somos dignos dele. Por exemplo, duas pessoas estão começando sua vida de casados. Ambos jovens e com vontade de viver. Em um dia, um dos dois descobre estar com uma doença que prejudica essa vida matrimonial. A Caridade aqui é a piedade e os cuidados que um terá com o outro para o resto da vida. Só que é difícil receber esse amor apenas por conta da condição de doente. Na sua forma consciente, ele fere.

É uma escrita sensível, mas que esconde a didática do autor. Ao mesmo tempo em que reflete sobre a forma como um dos seus amores é tratada, ele também ensina, traz contextos históricos, conversa diretamente com o leitor e inicia discussões sobre o machismo e o papel da mulher no prazer de um casal. Isso tudo sem nunca deixar de lado a palavra de Deus e a relação que seus amores mantém com o divino.

Infelizmente, não é uma leitura fácil e leve. Às vezes ela é um pouco cansativa e, por conta das inúmeras informações, você consegue até mesmo se perder. Eu diria que esse livro é uma espécie de “argumentação”, não só porque são classificações que o próprio autor atribuiu ao amor, mas também por conta das citações de outras obras que ajudam a reafirmar seu ponto de vista. 

Os exemplos presentes nos capítulos facilitam nossa compreensão. Eles são comuns, sobre situações que já passamos e pessoas que também podem ser encontradas no nosso vínculo social. Além de esclarecerem as inúmeras dúvidas que surgem ao longo da leitura, esses exemplos também mexem um pouco com a nossa memória afetiva.

Recomendo para todos os leitores dispostos a examinar o amor em sua totalidade. A principio, pensei que seria impossível alguém descrever com tamanha vontade um sentimento tão complexo e contraditório. Mas, depois de ler Os Quatro Amores, percebi o quanto estava enganada. C. S. Lewis surpreendeu mais uma vez.


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