14.6.18

[Resenha #1635] Os Segredos dos Olhos de Lady Clare - Carol Townend @harlequinbrasil


Os Cavaleiros de Champagne # 2
Os Segredos dos Olhos de Lady Clare
Carol Townend
ISBN-13: 9788539825592
ISBN-10: 8539825597
Ano: 2018
Páginas: 256
Idioma: Português
Editora: Harlequin Brasil
Classificação: 4 estrelas
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SINOPSE: Enquanto investiga a causa do aumento de bandidos em Troyes, sir Arthur Ferrer encontra a misteriosa Clare, uma possível filha ilegítima do conde de Fontaine, da Bretanha. Ele então percebe que ela pode ser a chave para a sua própria salvação. A honra exige que Arthur a leve até o pai para que possa ser reconhecida, mas o desejo prefere que ela fique em seus braços.Será possível conciliar honra e desejo?A autora Carol Townend mais uma vez convida as leitoras para uma viagem inesquecível de volta a condados, cortes e reinos e às incríveis histórias de amor entre nobres da (nem tão) alta sociedade da época.



RESENHA: 

Em Os Segredos dos Olhos de Lady Clare, da autora Carol Townend, somos transportados para o ano de 1174, em Troyes, Condado de Champagne (França). Por lá, conhecemos não só os olhos incomuns de Clare – um é acinzentado e o outro verde –, mas também o seu passado perturbador. 
“Se todas as imperfeições fossem abolidas do mundo, viveriam num lugar bem mais pobre.” (pág. 29)
“Nada melhor do que um torneio para aguçar a mente.” (pág. 43)
“As pessoas não conseguiam evitar seus olhos destoantes, um acinzentado e outro verde. Olhos assim eram impossíveis de se esconder.” (pág. 62)
“Para Clare, o casamento era apenas um nível acima da escravidão.” (pág. 86)
Ela passou grande parte de sua vida como escrava em Apulia, na Itália, e seu nome foi envolvido em um terrível acontecimento. Mas ela conseguiu escapar com a ajuda de um mercador. No meio do caminho, nos arredores de Troyes, Clare foi encontrada pelo jovem cavaleiro Geoffrey, que fez questão de levá-la para o chalé em que morava com a mãe Nicola e a irmã Nell. Algum tempo depois, Geoffrey se envolveu com ladrões e acabou morto. Assim, Clare passou a ajudar nas compras, na limpeza e nos cuidados das duas pessoas que ficaram para trás. 
“Clare só queria viver tranquila e em paz. A atenção de sir Arthur Ferrer era a última coisa de que precisava.” (pág. 107)
“O caminho de Clare sempre fora cheio de obstáculos, mesmo assim, pela primeira vez em anos, ela recuperara a esperança e tinha um lugar para ir.” (pág. 177)
“Quem acreditaria na palavra de uma escrava fugitiva que tentara matar o filho de seu senhor?” (pág. 238)
“A experiência de Arthur se restringia apenas ao amor comprado, e era tudo o que um cavaleiro sem-terras podia arcar. Clare o levava a sonhar com um tipo diferente de amor. Se bem que ele próprio não conhecia outro tipo de amor.” (pág. 308)
“Clare estava ciente de que vivia num mundo regido pelos homens.” (pág. 378)
“Durante anos, ela rezara pela liberdade, mas só agora compreendera que ninguém era completamente livre.” (pág. 388)
Num dia, Clare e Nell são convidadas para o Torneio da Noite de Reis, um espetáculo para as damas de Champagne. Sentadas na primeira fileira, Clare chama a atenção de Sir Arthur Ferrer, capitão dos Cavaleiros Guardiões do conde Henry, que não apenas lembra de já ter visto seus olhos peculiares no rosto de outra pessoa, como também se intriga com o fato de Clare ficar assustada com o aparecimento de um mercador na fileira. Ele não percebeu, mas o mercador avisou que traficantes de escravos foram vistos em Troyes. Assustada, Clare acredita que eles vieram para levá-la de volta para Apulia, e decide tentar uma fuga. 
“(...) havia um sentimento que não seria aplacado pelo novo título; ainda se sentia sozinha.” (pág. 518)
“Não quero que seu perfume de lavanda seja uma mera lembrança, gostaria de me embriagar de sua essência desde o amanhecer até a noite.” (pág. 546)
“- Todo mundo tem seu lugar, milady. Lordes, cavaleiros, monges, camponeses... todos têm seu papel.” (pág. 582)
“Havia descoberto que a saudade era um sentimento similar a uma fome recorrente e incessante.” (pág. 713)
“Viver sem Clare não era vida. Ele a amava e sabia que pertenciam um ao outro.” (pág. 757)
“Clare não fora criada como uma dama, mas tinha seu próprio código de honra.” (pág. 815)
Para Arthur, essa atitude indica que ela tem informações sobre Geoffrey e os ladrões. Em conversa com conde Henry, ele expõe seus receios, mas finalmente lembra qual a pessoa que possuí os mesmos olhos de Clare: eles também eram de Conde Myrrdun de Fontaine. Agora, Arthur tinha a missão de levar Clare para Fontaine, já que ela poderia ser filha ilegítima do conde, e ainda extrair informações sobre os ladrões que ameaçavam a paz de Troyes, caso ela soubesse de alguma coisa. Porém, em meio a uma viagem com várias paradas a caminho do destino de Clare, os dois começam a sentir algo diferente um pelo outro. 
  

O livro é o segundo da série Os Cavaleiros de Champagne, mas pode ser lido separadamente. Ele é narrado em terceira pessoa por Clare e Arthur, os capítulos são bem curtinhos e a escrita da autora é objetiva e imersiva. Essa imersão pode ser encontrada não só nos elementos de um romance histórico, como os títulos, os costumes e as vestimentas, mas também na ambientação medieval francesa, que incluí uma espécie de roadtrip com cavalos, um monastério e hospedarias em beiras de estrada, florestas, praças, chalés e castelos. Uma dica para curtir ainda mais essa imersão: coloque uma playlist no estilo Medieval Ambient para tocar bem baixinho, você será transportado para a história de uma forma mágica.  

Gostei da forma como o casal principal foi construído. Os dois possuem um passado conturbado e demônios que os infernizam diariamente, o que também os impedem de viver de modo pleno. Por exemplo, Arthur é filho ilegítimo de um fabricante de armaduras do palácio e, mesmo com todo o apoio e reconhecimento recebido pelos seus superiores, a sua origem o impede de se sentir merecedor de todas as conquistas. E isso se torna evidente quando Clare descobre sua verdadeira identidade em Fontaine. Além disso, os momentos hot entre os dois são bem balanceados e não são tão descritivos, o que é ótimo para manter o tom da história e a moral da época. 

Os únicos problemas que encontrei, na verdade, caracterizam muito os romances históricos. Até entendo quando isso acontece em determinados momentos, mas em outros é completamente inaceitável. Infelizmente, aqui não é diferente: existe muita dedução por parte dos personagens e falta de comunicação entre eles. A título de exemplo, em um episódio especifico, Arthur faz pela segunda ou terceira vez uma proposta crucial para Clare. Por conta apenas de sua linguagem corporal, Arthur deduz que ela não aceitaria novamente, sendo que Clare estava pronta para consentir, mas precisava também contar algo de seu passado que a atormentava. Arthur simplesmente não esperou por sua resposta e a tratou como se já soubesse o caminho que eles tomariam. Muita coisa seria resolvida se acontecessem pequenos diálogos e poucas narrações de pensamentos. 

Esses detalhes não me fizeram odiar a leitura, pelo contrário, estou ansiosa para ler os outros livros da série. Isso acontece, principalmente, porque alguns assuntos ficaram sem respostas e personagens citados não apareceram, como Tristan, le Beau, que casou com Francesca apenas pelo que toda a sua herança representava para ele. Sua aparição poderia acabar com Clare e toda a felicidade que ela encontrou em Fontaine.  

Para encerrar, acredito que a história de Clare e Arthur vai mexer muito com você, pois ela traz um lembrete de que o presente não precisa ser afetado pelo passado. Além disso, o livro é uma ótima pedida para todos os leitores que gostam de um romance histórico ambientado na França do século XII. E é aqui que vocês vão encontrar uma escrita imersiva, personagens bem construídos e um amor de tirar o fôlego. 



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