8.7.18

[Resenha #1644] Império das Tormentas - Jon Skovron @EditoraArqueiro


Império das Tormentas
Jon Skovron
ISBN-13: 9788580417562
ISBN-10: 8580417562
Ano: 2018
Páginas: 368
Idioma: Português
Editora: Arqueiro
Skoob
Classificação: 5 estrelas
Compre: Amazon
SINOPSE: Em um império fragmentado, circundado por mares selvagens, dois jovens de culturas diferentes se unem por uma causa comum. Uma menina de 8 anos é a única sobrevivente do massacre de sua vila por biomantes, uma das mais poderosas forças do imperador. Batizada com o nome de seu vilarejo para nunca se esquecer do que perdeu, Bleak Hope é treinada em segredo por um mestre guerreiro para se tornar um instrumento de vingança. Um estranho garoto de olhos vermelhos fica órfão nas esquálidas e sujas ruas de Nova Laven, mas é adotado pela pior pessoa que o destino poderia lhe apresentar: Sadie Cabra, uma das criminosas mais infames do submundo. Batizado como Red, ele é treinado para ser um exímio atirador de facas - além de ladrão, mentiroso e trapaceiro.Quando um senhor do crime estabelece um acordo de poder com biomantes para tomar o controle do submundo de Nova Laven em troca da miséria da população, as histórias de Hope e Red finalmente se cruzam. Seja por honra ou vingança, essa improvável aliança os levará para a maior batalha da vida deles.Jon Skovron marca aqui o início da trilogia Império das Tormentas, uma fantasia embalada por uma espadachim habilidosa, piratas, vigaristas, jogos de poder e revolução.



RESENHA: 

Em Império das Tormentas, do autor Jon Skovron, nos deparamos com o encontro de dois personagens. O povoado de Bleak Hope, no sul do Império, foi exterminado pelos biomantes – místicos da biologia que possuem a habilidade de alterar qualquer criatura viva. A única sobrevivente dessa atrocidade foi uma menininha de oito anos, loira e de profundos olhos azuis que viram tudo o que aconteceu. Após ser encontrada por um capitão, ela foi levada para o chefe da ordem dos vinchen, o monge Hurlo. E, para lembrar de sua origem, recebeu o nome de Bleak Hope. 
“Quem perdeu tudo é livre para se tornar o que quiser ser. É um preço alto a pagar, mas a grandeza é sempre assim.” (pág. 9)
 “Um pouco de caos na ordem provoca mudanças. Talvez para melhor.” (pág. 17)
“É verdade que não podemos nos impedir de ter emoções, mas podemos optar por não nos deixar levar por elas.” (pág. 33)
“Se você acredita que vai conseguir, sempre há uma chance de conseguir. Mas se você acha que vai fracassar, vai fracassar sempre. Nunca se permita perder antes de começar.” (pág. 39)
Hope era a única menina no mosteiro vinchen. Todos os outros eram homens treinados para seguir o Livro das Tormentas. Essa diferença ficava ainda mais evidente quando era atormentada por eles, que não gostavam de estar na presença de uma mulher. No começo ela limpava o chão, passava a roupa, cozinhava e ajudava no que podia. Mas, após o monge Hurlo presenciar Hope sendo machucada por um de seus irmãos, ele decidiu que a treinaria para ser uma vinchen – apesar de ser proibido. Assim, Hope passou anos se fortalecendo e aprendendo. Quando chegou a hora, se tornou uma guerreira e conseguiu brandir a Canção dos Lamentos, uma lâmina que se tornaria sua companheira na busca pela vingança de seu povoado.  
“(...) é possível suportar qualquer tipo de sofrimento, desde que ele tenha algum propósito.” (pág. 59)
“Enquanto a juventude e inocência dão lugar à experiência, a dúvida nubla a mente. Os que encontram um propósito renovado na complexidade irão prosperar.” (pág. 65)
“Em sua majestade negligente, a tempestade dá com a mesma facilidade que tira. Não sofra tanto pelo que você perdeu a ponto de não ver o que pode ter ganhado.” (pág. 130)
“O mundo é muito mais vasto do que você ou eu podemos ao menos conceber.” (pág. 148)
O garoto Rixidenteron nasceu de uma união diferente. Sua mãe vinha do norte, de uma família rica e com mais possibilidades do que muita gente. Mesmo assim, ela queria ser independente e não ficar fazendo o papel da boa moça dona de casa. Tremendamente talentosa, ela pintava e se juntou a um grupo de artistas. Foi nessa aventura que ela conheceu o marido, um prostituto, e prometeu tirá-lo dessa vida. Enquanto ela pintava, ele ficava em casa. O problema era que sua mãe era viciada em especiaria coral, o que ficou mais evidente quando Rixidenteron nasceu – ele tinha os olhos vermelhos. Contra todas as probabilidades, ele sobreviveu e cresceu muito bem. 
“Aquilo de que um homem tem medo vai lhe dizer muito sobre seu caráter.” (pág. 166)
“A pessoa que você acredita ser é apenas uma parte sua, assim como todas as verdades não passam de verdades parciais.” (pág. 200)
“Qualquer imperador que jogue fora a vida de seu povo tão despreocupadamente não tem condições de governar.” (pág. 242)
“Uma narrativa é feita tanto pelo que você deixa de fora quanto pelo que revela.” (pág. 267)
Infelizmente, por conta de inúmeros infortúnios da vida, o garoto começou a viver nas ruas. Algum tempo depois, nos bairros pobres de Nova Laven, Rixidenteron se encontrou a bordo de um navio com Sadie Cabra, a ladra mais famosa e talentosa de que se tinha notícia. Os dois estavam prestes a ser sulizados, ou seja, recrutados à força. Mas a esperteza da mulher o tirou desse apuro. Assim, ela se tornou sua companheira e o nomeou Red, um nome que facilita a vida das pessoas e descreve a cor de seus olhos. Os ensinamentos de Sadie ajudaram Red a não só dominar a arte do roubo e das tramoias, mas também a sobreviver em um mundo violento.

Red, ao lado de companheiros fieis, tem uma mira certeira e sabe manusear armas como ninguém. Hope, uma espécie de guarda-costas do capitão Carmichael, do Gambito da Dama, um homem que a ajudou após sua partida brusca do mosteiro vinchen, aparece em Nova Laven. Após o primeiro encontro dos dois, alguns acontecimentos se desenrolam e eles formam uma aliança que promete balançar as estruturas do Império.  

O livro é o primeiro de uma trilogia. Ele é divido em quatro partes: na primeira, Red e Hope sofreram perdas, mas encontraram forças em pessoas e situações diversas; oito anos se passam na segunda parte; na terceira, dois anos; e, por fim, na quarta parte temos o desenrolar do primeiro encontro entre os dois. E os capítulos intercalam a narração em terceira pessoa de Red e Hope, mas muitos outros personagens recebem um espaço e mostram seus pontos de vista durante o livro. 

É uma história vingativa, pesada, violenta, desoladora e envolta em muito sangue e sujeira. As cenas de luta são bem orquestradas, Red e Hope possuem armas que os definem e o autor é explicito na hora de descrever um membro decepado. Os biomantes, esses cientistas habilidosos na arte de fazer o leitor enjoar, são os piores personagens que existem. Se os seus ideais e objetivos já são perversos, faltam até palavras para descrever o quão repugnantes são suas capacidades. Para você ter uma ideia, dois momentos me fizeram querer vomitar: a morte dos moradores do povoado de Bleak Hope e a transformação que acontece no personagem Brigga Lin. 


Dois lugares são predominantes na história: o mar e Nova Laven. É claro que eles visitam outras cidades, o que dá uma noção mais ampla do mundo criado pelo autor, mas as viagens a bordo de navios e os diversos momentos em Nova Laven são bem mais recorrentes durante o livro. O autor faz descrições tão precisas desses ambientes, algo bem notável em sua escrita, que tornam a história ainda mais imersiva. Falando sobre o universo criado pelo autor, ele é rico em detalhes. Além de ter empregado uma cultura para cada lugar, ele também criou um vocabulário próprio para Nova Laven (que pode ser conferido na íntegra ao final do livro), algo difícil de encontrar em outras histórias. 

Os personagens, justamente por estarem inseridos numa cultura própria, são bem mais humanizados. Eles não são heróis com vidas perfeitas, pelo contrário, são personagens redondos com histórias dramáticas que justificam grande parte de seus atos. Eles falam palavrões, agem de forma um pouco animalesca, vivem de acordo com o que acreditam e são unidos. Não posso esquecer a discursão sobre o papel da mulher que pode ser encontrada em muitos deles ou em diálogos. O autor faz questão de tocar nesse assunto, independente se estamos lendo sobre um mundo fictício ou não. 

Império das Tormentas não é um livro para qualquer um. Você precisa ter estômago forte para se aventurar pela história de Red e Hope, porque além do passado inquietante que cada um possui, o autor nos convida a conhecer também um pouco do que os biomantes são capazes. Uma escrita instigante, um universo diferente e personagens carismáticos esperam por você. Aceite o desafio e não se arrependa. A leitura vale muito a pena. 



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