2.1.19

[Resenha #1660] Princesa das Cinzas - Laura Sebastian @editoraarqueiro @sebastian_lk


Princesa das Cinzas 
Laura Sebastian
ISBN-13: 9788580418934
ISBN-10: 8580418933
Ano: 2018
Páginas: 352
Idioma: Português
Editora: Arqueiro
Classificação: 5 estrelas
Skoob
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SINOPSE: Theodosia era a herdeira do trono de Astrea quando seu reino foi invadido, deixando um rastro de destruição.Dez anos depois, a princesa, órfã, prisioneira e subjugada, percebe que não lhe resta mais nada, a não ser lutar pela própria liberdade.O passado, que por tanto tempo ficou enterrado, agora precisa vir à tona para mostrar a Theodosia os caminhos que poderão levá-la de volta ao trono.Mas Theo conseguirá ser a rainha de que seu povo precisa? Ou será que anos de humilhações transformaram a herdeira da Rainha do Fogo em meras cinzas?



RESENHA:

A Princesa das Cinzas, da autora Laura Sebastian, é Theodosia Eirene Houzzara. Na verdade, todos da corte de Astrea a conhecem como lady Thora, a jovem que só está viva para satisfazer as estratégias políticas e pessoais do kaiser Corbinian. Aos seis anos de idade, ela viu sua mãe ser morta pelas mãos do theyn e seu reino ser conquistado pelos kalovaxianos. Ao invés de ter o mesmo destino da Rainha, a princesa Theo ficou sob o olhar do kaiser. 
"É mais seguro viver apenas no presente, ser uma garota sem qualquer passado por que ansiar e qualquer futuro para lhe arrancarem." 

"Meu corpo se lembra - mesmo quando o restante de mim esquece - que não fui feita para reverenciar." 

Após o cerco, os astreanos foram escravizados e enviados para as minas dos deuses para satisfazer o desejo dos novos governantes. Muitos acreditam que Theo tem tudo o que eles sonham, afinal de contas, ao que tudo indica, ela continua vivendo com a liberdade de sua posição. Mas eles estão muito enganados. Por cada levante rebelde de astreanos, Theo sofre com a ira do kaisen: chichotadas nas costas, humilhação pública e uma coroa de cinzas são apenas algumas das diversas punições pela resistência do povo.
"É melhor ter sua vida tirada por alguém que o odeia ou alguém que o ama?" 

"(...) eu não sou uma lutadora. Sou o apavorado vislumbre de uma garota. Sou uma mente fragmentada e um corpo trêmulo. Sou uma prisioneira." 

"A esperança dentro de mim ainda não foi sufocada. Ela está morrendo, sim, restando-lhe apenas algumas brasas. Mas já vi fogos serem reavivados com menos."

"Como pode haver uma diferença tão grande entre Thora e Theodosia, quando ambas são eu?" 

"(...) um jogo sim, mas tudo isso na verdade é um jogo. Um único movimento errado me sepultará." 

"Que tipo de rainha sou eu se coloco meu inimigo acima de meu povo?" 

Depois de dez anos e pouquíssimas esperanças, a única amiga de Theo é, por ironia do destino, a filha do assassino de sua mãe. Além disso, ela vive sob constante vigia de homens conhecidos como Sombras, está sujeita a apanhar de qualquer pessoa sem levantar a voz e, como era de se imaginar, não tem nenhum tipo de poder dentro de seu próprio lar. É nesse contexto que a ajuda surge, aliados prontos para salvar Astrea, derrotar o inimigo e colocar Theo no trono que é seu por direito. É hora da Princesa das Cinzas se reerguer!
"Sou um cordeiro na toca do leão e não sei se sou capaz de sobreviver." 

"Talvez mentir para si mesmo seja a única maneira de sobreviver." 

"Sou uma princesa das cinzas, afinal. Não posso evitar me desfazer." 

"(...) prometo a mim mesma que um dia assistirei a todos eles queimarem." 

"Talvez os governantes tenham de ser pelo menos parte monstros a fim de sobreviver." 

"Eu era uma princesa feita de cinzas, nada mais resta de mim para queimar." 

O livro é o primeiro de uma trilogia. Apesar de ser comparado com outras distopias de sucesso, ele é diferente de uma maneira única. É claro que a história tem elementos que caracterizam esse gênero literário, mas a discussão deve parar por aqui. A narrativa é recheada de diálogos inteligentes, personagens cativantes e memoráveis, e todas as estratégias são elaboradas e discutidas de acordo com questões externas e ideológicas. 

Tudo é extremamente instigante, desde o universo ricamente detalhado criado pela autora, que contém cultura, mitologia, mapa e linguagem, até a posição dos personagens diante dos acontecimentos. Ficamos na expectativa até a última página, e pelo caminho a autora nos presenteia com reviravoltas e situações muito imprevisíveis.

A história é narrada em terceira pessoa por nossa protagonista. Theodosia não nasceu heroína e, sendo assim, difere bastante das personagens principais de outras histórias. A princípio, ela se mostra uma jovem medrosa, pessimista e repleta de dúvidas. Quando decide fazer com que os inimigos desabem, Theo começa a usar artifícios simples que estão ao seu alcance, como a sedução, a lábia e o pensamento rápido. Com o tempo percebemos o quão bem construída é a personagem - sua transformação é visível. Mesmo com as grades douradas que a aprisionam, ela mostra para o leitor que nunca esqueceu o que fizeram com seu povo.

Em muitos momentos temos o vislumbre de Astrea antes dos kalovaxianos. São memórias que causam saudade até mesmo no leitor. Gostaríamos de viver toda aquela paz de outrora ao invés da guerra ao redor de Theo. É interessante perceber como as duas culturas são diferentes, seja no modo de usufruir da magia proporcionada pelos deuses, como na forma de falar, se vestir e agir. Quero muito conhecer os outros povos e reinos criados pela autora nos próximos livros. 

Além de um hino feminista, Princesa das Cinzas tem discussões sobre a fé, uma narrativa instigante, uma excelente construção da personagem principal e um mundo novo e cheio de detalhes. 




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