7.1.19

[Resenha #1661] Um Acordo Pecaminoso - Lisa Kleypas @editoraarqueiro


Um Acordo Pecaminoso
Os Ravenels # 3
Lisa Kleypas
ISBN-13: 9788580419023
ISBN-10: 8580419026
Ano: 2018
Páginas: 304
Idioma: Português
Editora: Arqueiro
Classificação: 4 estrelas
Skoob
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SINOPSE: Lady Pandora Ravenel é muito diferente das debutantes de sua idade. Enquanto a maioria delas não perde uma festa da temporada londrina e sonha encontrar um marido, Pandora prefere ficar em casa idealizando jogos de tabuleiro e planejando se tornar uma mulher independente. Mas certa noite, num baile deslumbrante, ela é flagrada numa situação muito comprometedora com um malicioso e lindo estranho. Gabriel, o lorde St. Vincent, passou anos conseguindo evitar o casamento, até ser conquistado por uma garota rebelde que não quer nada com ele. Só que ele acha Pandora irresistível e fará o que for preciso para possuí-la. Para alcançar seus objetivos, os dois fazem um acordo curioso, e entram em uma batalha de vontades divertida e sensual, como só Lisa Kleypas é capaz de criar.



RESENHA:

Em Um Acordo Pecaminoso, da autora Lisa Kleypas, somos levados para a Londres de 1876. Muitos jantares, concertos e bailes estão acontecendo para introduzir as jovens na sociedade e fazer com que elas encontrem um excelente partido. Lady Pandora Ravenel é muito diferente dessas jovens. Mesmo com 21 anos, ela não sonha em casar ou ter filhos. Pelo contrário, ela quer ser independente, criar os próprios jogos de tabuleiro e viver uma vida empenhada em não pertencer a ninguém. Apesar de ter crescido com dois pais amorosos, Gabriel, lorde St. Vincent, herdeiro de um ducado e libertino nas horas vagas, não pensa muito diferente.  
“Casamentos em que havia amor podiam ser raros, mas certamente não eram impossíveis.” 
“Pandora, aquela mulher de pensamentos e ambições radicais, brincava com a naturalidade de uma criança. Era linda. Complexa. Frustrante. Ele nunca conhecera uma mulher tão completa e determinadamente dona de si.” 
“Ela havia destrancado o coração de Gabriel com uma facilidade assustadora e jogara a chave fora.” 
Em um desses bailes, os dois se encontram em uma situação muito embaraçosa. Para não arruinar o nome de Pandora, Gabriel é obrigado a pedi-la em casamento. Mas Pandora não vai abrir mão de sua liberdade tão facilmente, e as coisas começam a piorar quando Gabriel descobre que ama a imaginação fértil da jovem, suas frases sem sentido e seu jeito decidido. Assim, todos os Ravenels são convidados a passar uma semana com a família de lorde St. Vincent. Será necessário um acordo para que Pandora seja inteiramente de Gabriel. 
“Quanto mais você aprender sobre o mundo, menos ilusões terá.” 
“Ferimentos invisíveis às vezes são mais devastadores do que os físicos.” 
“Ela era a moça que fica no canto do salão e que, de algum modo, fisgara o homem mais bonito do baile, o homem que todas queriam.” 
“Sou seu esta noite e para sempre, na alegria, na adversidade, e nos mil choques naturais da vida.” 
O livro é o terceiro da série Os Ravenels, mas pode ser lido separadamente, e a narração em terceira pessoa intercala os pontos de vista do casal protagonista, Gabriel e Pandora. Além de uma escrita rica em detalhes da época vitoriana, a autora definitivamente se superou e desenvolveu personagens maravilhosos. Eles são carismáticos, suas personalidades têm diversas camadas e ficamos na torcida para que tudo dê certo para eles. 

Por conta da independência de Pandora, existem muitas discussões importantes sobre o papel da mulher na sociedade do século XIX. Diferente do que encontramos em grande parte das histórias da autora Nora Roberts, por exemplo, o protagonista masculino não tem a mente fechada ou exala machismo. Pelo contrário, o Gabriel da Lisa Kleypas foi criado num ambiente feminino, com dois pais livres de preconceitos (você deve reconhecê-los como o casal de Pecados no Inverno, terceiro livro da série Quatro Estações do Amor) e, por mais que faça questionamentos sobre as ponderações de Pandora, a mente de Gabriel é facilmente adaptável.

Percebemos também que houve não apenas uma extensa apuração por parte da autora sobre a lei de propriedade de mulheres na Inglaterra, mas também sobre a medicina daquela época e o uso de máquinas em gráficas. Em uma nota ao final do livro, ela revela que Pandora é uma homenagem à criadora de jogos de tabuleiro Elizabeth Magie, o que mostra mais uma vez o grande trabalho de pesquisa que antecedeu a história.  

Sempre fico com um pé atrás com as cenas de sexo em romances de época escritos por autoras modernas, uma questão que já levantei em resenhas anteriores no Rotina Agridoce. Elas destoam muito da premissa, principalmente por serem explícitas e, infelizmente, aqui acontece exatamente isso. Não é algo que me incomoda muito, mas como Pandora tem uma visão infantil do mundo e uma leveza de espirito, suas ações com Gabriel parecem ser de outra personagem, uma totalmente desconhecida. 

Outro ponto que preciso comentar é sobre uma mudança de tom que acontece no finzinho da segunda parte. O leitor se vê saindo de um romance repleto de ternura e paixão para uma conspiração envolvendo anarquistas irlandeses, esfaqueamento, bomba e suicídio. Essa mudança, apesar de acontecer em poucas páginas, é meio drástica e confusa. Na verdade, dá para perceber que ela serviu apenas para introduzir um personagem misterioso que receberá mais atenção no próximo livro. 

Apesar dessas duas questões, as descrições de ambientes, paisagens e modos sociais da época são muito instigantes. Temos vontade de pular para dentro do livro e aproveitar o máximo possível do ano de 1876. Acredito que os diálogos engraçados, os pensamentos perspicazes da protagonista e a família Ravenel também contribuem para essa experiência deliciosa. 




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