29.1.19

[Resenha #1662] Deuses Caídos - Gabriel Tennyson @Suma_BR @gabstennyson @cialetras


Deuses Caídos
Gabriel Tennyson
ISBN-13: 9788556510662
ISBN-10: 8556510663
Ano: 2018 
Páginas: 300
Idioma: português 
Editora: Suma
Skoob
Classificação: 5 estrelas
Compre: Amazon
Sinopse: Um serial killer com poderes paranormais está assassinando evangelistas famosos — e os vídeos de cada um deles sendo torturados ganham cada vez mais público na internet. O assassino se proclama o novo messias, e os pecadores devem temer sua justiça. O que a Sociedade de São Tomé teme, no entanto, é que ele acabe com o trabalho de séculos de manter o sobrenatural bem afastado da consciência da população, embora seres mágicos povoem o submundo da cidade.
Para garantir que o assassino seja capturado e o máximo de discrição mantida, a Sociedade convoca Judas Cipriano — um padre indisciplinado, descendente de são Cipriano e herdeiro de alguns poderes celestiais. Veterano nesse tipo de caso, o padre é enviado para trabalhar como consultor da Polícia Civil e fica responsável por apresentar à jovem inspetora Júlia Abdemi o lado místico da cidade.
Para resolver o caso — e sobreviver —, os dois precisarão de toda ajuda que puderem encontrar... O que inclui se unir a uma súcubo imortal, um dragão chinês traficante de armas mágicas e um gárgula que é a síntese da sociedade carioca.



Resenha: 

Escrever uma fantasia criativa nos dias de hoje é um grande desafio, de tudo já foi dito e criado, e não parecer como algo que já foi feito é bem difícil. Ao começar a leitura de Deuses Caídos, do autor carioca Gabriel Tennyson, publicado pela Suma das Letras, eu lembrei muito de Constantine, mas aos poucos a estória se distanciou, e mostrou ao que veio!

Cipriano é um padre incomum, dotado de alguns dons ele trabalha para o Vaticano realizando exorcismos e escondendo o sobrenatural da humanidade. A morte de um pregador faz com que Cipriano se junte a policial Júlia para desvendar quem está por trás deste terrível assassinato transmitido pela internet. Só que quem matou Santana não parou, e esta criatura não parece com nada que este padre já tenha encontrado.

Tennyson desenvolveu sua narrativa em terceira pessoa com algumas características marcantes, a primeira é o estilo coloquial repleto de palavrões de baixo calão, especialmente no início da trama. Junto disso temos um pé no estilo Gore, com cenas fortes bem detalhadas sem receio do efeito que irá causar no leitor, estas diminuem um pouco ao longo do livro, permitindo maior envolvimento com a estória. Talvez nem todos consigam passar por estas páginas com facilidade. E quebrando um pouco o peso da narrativa o autor cita referências ao mundo pop, ou seja, utilizando de filmes, seriados e outros ele faz piadas de humor negro com estas referências.

Quanto a mitologia utilizada por Gabriel ele utilizou de tudo um pouco, desde a clássica encontrada na bíblia que é o fio condutor do serial killer, até a judaica, passando por tradições quanto a criaturas como vampiros e fadas, tudo junto e misturado, mas não fazendo uma salada, e sim um conjunto de existências possíveis em uma cidade como o Rio de Janeiro. 

Sou fascinada quando um autor consegue trazer a fantasia para a terra do asfalto, quando nos faz se sentir espreitados em nossas casas tamanho realismo da fusão da fantasia com o urbano. Colocar a fada do dente, por exemplo, como uma dentista foi muito interessante! O Saci também ganhou uma versão muito, muito boa!! Para não citar outros exemplos para não estragar as surpresas!
Judas Cipriano, o protagonista é um padre por profissão, não por vocação, assim ele faz tudo o que não é esperado para um padre. Boca suja, com modos rudes e nojentos, ele vive no submundo, mas no fundo tenta encontrar dentro de si a bondade, e tem acessos de boa vontade. Sua estória de vida é aos poucos contada, e aos poucos o compreendemos mais, criando até uma empatia.

Júlia, a policial também tem um dom, mas ela não o encara desta forma, tanto que se considera agnóstica. Embora ela seja uma criatura sobrenatural ela demora a se considerar uma. Tem uma força interna grande que desconhece, que só aos poucos irá resgatar. Junto a Cipriano se torna mais empoderada.
O serial killer é um doente com poderes, e se uma pessoa com desvio de personalidade já é ruim sendo comum, imagina quando pode matar a distância?! Pois é, quando ele é inteligente e malvado acaba matando figuras religiosas com passado sombrio através da internet, onde os deslikes são o julgamento para a morte delas. Quando a narrativa se aproxima mais dele, e conta sua estória e objetivo com as mortes é mais assustador ainda! Seu modo operantes é impossível de controlar senão por outro com alguém que tenha poderes. E o modo como acaba controlado foi uma ótima jogada do autor!

Um fator muito positivo do livro foi a capacidade do autor em fazer sua estória soar brasileira. Digo isso porque as fantasias nacionais tendem a ou serem cópias das internacionais, se passando em países estrangeiros, ou são até ambientadas aqui, mas mesmo assim não parecem se passar aqui já que o comportamento e criaturas têm características de outro local, especialmente dos americanos. Em momento algum eu me senti fora do Brasil, ou não em outro lugar que não fosse o Rio de Janeiro.

O desfecho é um chute no estômago, já que tem aquela cena: Nãooo você não vai fazer isso! E ao mesmo tempo tem um epílogo que nos presenteia com uma possível continuação, e espero que ela exista, já que seria maravilhoso continuar nesse universo de Tennyson. Maravilhoso talvez não seja a palavra certa quando existe tanto sangue e violência, mas é um livro tão bem realizado que ao final a sensação é de satisfação mesmo que ele tenha gerado certo sofrimento.

Deuses Caídos é uma obra rara entre os livros de terror e fantasia nacional, já que alia a realidade do cotidiano e a vulnerabilidade humana junto ao mundo repleto de possibilidades e magia que a boa fantasia tem. Se este é só o primeiro livro do autor, imaginem o que pode vir por aí! Gabriel pode continuar a série que estou de plantão esperando a L.E.N.D.A.S. começar!



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